sexta-feira, 25 de abril de 2008

Mulherzinha

Para mulheres que sofrem com mulheres...
Noite passada sonhei com uma pessoa (do gênero feminino) que me causou muita dor-de-cabeça alguns anos atrás. E como nos sonhos experimento sensações bem realistas, acordei sentindo aquela mesma indignação que essa pessoa me causava. E pra parir essa raiva que eu trouxe da noite mal-dormida, resolvi escrever sobre esses tipinhos, que eu chamo de "MULHERZINHA". Vamos a elas...
Primeiro vamos à ressalva, de que não tenho nada contra as colegas de baixa estatura, já que, a começar pela minha avó, temos várias baixinhas adoráveis na minha família. Me sirvo do diminutivo pra me referir a mulheres pequenas nas relações pessoais, que pensam pequeno, que encrencam com bobagem e que precisam de pouco, muito pouco pra tornar sua vida (a nossa) uma amarga batalha de foices.
Então... sem julgar pela estatura da sujeita, ela é um problema na sua vida e uma criadora de problemas nata. A mais típica é encontrada normalmente em ambientes de trabalho, a alguns cargos acima do seu. Mas nada, nada impede que ela seja sua irmã, professora, tia, colega de trabalho, atendente do cartório, vizinha, sogra, ou até mesmo, infelizmente, sua mãe. O que importa é que elas podem estar em qualquer área da sua vida, independente do quão bem ou pessimamente você consiga conviver com ela. Ela tem uma capacidade incrível, uma habilidade maldita de tirar você do sério. E também não importa se ela é um peso- leve ou um peso-pesado. Você olha prá ela e vê um barril de pólvora, um vespeiro.
Então se abre comigo: já passou por uma dessas? Já dependeu dela pra qualquer coisa? Trabalhou com ela? Ih, foi subordinada a ela?Aff! Quem nunca? Eu, mais de uma, a propósito.
Pedir ou negociar qualquer bobagem com ela é tarefa hercúlea. Você ensaia o script de frases de efeito e contra-argumentos, treina o timbre vocal apropriado para cada possível levante, com dois dias de antecedência pelo menos, espera o melhor momento e vai. Se sente como negociando o preço do barril de petróleo no Iraque. Você tenta bravamente não gaguejar e não perder a pose enquanto se desvia das fagulhas, mas não adianta. E sabe porquê? Porquê ela está lá, ocupando o posto de Mulherzinha. E ser Mulherzinha é o papel que ela mais gosta de encenar, é o jogo preferido dela, mesmo que ela tenha outros papéis designados pela vida (de mãe, esposa, filha, etc). Isso não importa. Porque a vida dessa mulher é tão terrivelmente mal-resolvida que ela elege alguém além dela pra pagar o pato, sem que ela sofra as consequências por isso.
E aí que você entra, colega! Sobrou pra você e eu sinto muitíssimo.Ela sabe que você não tem escolha, você vai estar lá, naquele bat-local que você ocupa. Você é a "táuba de tiro ao álvaro" dela.
As melhores, (digo no sentido de mais desenvolvidas na arte da irritação da vida alheia) ou piores, como queira, são as imprevisíveis. Aquelas que, além de tudo, ninguém sabe dizer como será o dia (empresarial, familiar, etc) até que algum bendito corajoso vá lá e faça o teste. Nesses locais você costuma ouvir:
- Alguém já foi falar com a fulana hoje?
- Ihhh, nem tenta. Ou:
- Vai, mas passa vaselina antes (essa pérola eu ouvia de alguns colegas com muito senso de humor, numa cadeia aliment... quer dizer, numa empresa onde trabalhei).
Ah, e tem como piorar ainda! Se você tem alguma coisa que ela não tem (seja um namorado bacana, um cabelo mais sedoso, amigos, reconhecimento e bom humor)... seu caso é grave e eu te desejo paciência em overdose. E em impótese alguma deixe ela perceber se as pessoas da mesma convivência gostarem mais de você, se você estiver de bem com a vida, se estiver feliz porque seu time ganhou, ou porque o consórcio do carro saiu! Não transpareça qualquer tipo de satisfação perto dela! Ela vai se divertir em acabar com seu estado de graça. E evite essa criatura, na medida do possível. Não peça favores, ajuda, conselhos, empréstimo, nem peça pra pegar o papel na impressora. Não tome café nos mesmos horários que ela, não elogie o novo corte de cabelo dela. Não dependa dela, não se enrole nessa jararaca!
E esqueça, de uma vez por todas, de tentar entendê-la ou modificá-la. Isso não é tarefa prá você. Há bons terapeutas no mercado prá isso.
E sei também que nos seus sonhos você a manda prá ponte que partiu, sai pisando fundo e bate a porta e não volta mais. Mas como eu disse, essa sujeita pode estar em várias seções da sua vida. E além disso, nem sempre podemos sair e bater a porta atrás de nós, seja pelo momento que vivemos ou pelo papel que a fulana desempenha em relação a você. Talvez você esteja se perguntando sobre como passei por elas, ou se ainda passo. A verdade é que nunca saí batendo portas, apesar de as ter "peitado" em algumas ocasiões nervosas, mas nunca cheguei "nos finalmentes". Das que pude me esquivar, tentei evitar ao máximo, ignorei (e isso as deixa mais brabas ainda!) e no fim, saí à francesa, quando se tratou de trabalho. Procurei outras oportunidades assim que a situação caminhou para o insuportável, porque sempre achei que... pra tudo tem limite, né? Trabalho nenhum vale a nossa saúde.
E pra driblar todas as sujeitinhas inevitáveis que te rondam, tenho uma sugestão que funciona às vezes: não faça o jogo dela. Não continue a discussão, não comente o disparate que ela disse e em última instância, seja cínica. Mas saia do caminho dela, porque ele é um labirinto pegajoso onde ela vai se divertir se você se perder. Não compre a briga, não dê um centavo, não gaste sua saliva, seus neurônios, sua paz de espírito. Não dê importância a essa sujeita, mas seja firme nesse objetivo, porquê ela o será no dela. Lembra-se? Ser Mulherzinha é o que ela mais gosta de fazer...Então sai da reta, colega!
Ahn, e se você é uma Mulherzinha, sai dessa minha filha, porquê não ser Mulherzinha é o que há!

2 comentários:

Marcinha disse...

Pois é.... eu passei por isso, quer dizer, uma vez passou uma "mulherzinha" na minha vida, e haja água-benta, reza brava, paciência, BINA em todos os aparelhos de telefone da casa.... mas quando a mulherzinha vira passado é tudo de bom.... xô mulherzinha!!!

LORENA MOCELIN disse...

Também tenho um karma desse na minha vida. Muito bem escrito esse seu texto, descreve bem o abuso de poder dessas pessoinhas. Dizem que Deus não dá asas à cobra, mas é horrível estar nas mãos de pessoas assim que manipulam a todos e tudo à sua volta. E ai de quem não concordar com elas, teremos que pagar caro por isso. Elas têm tudo e um pouco mais, mas não permitem que você tenha a mínima alegria.