sábado, 18 de outubro de 2008

Bêbado é foda

Conto nos dedos as vezes que tomei porres.
Ocasiões memoráveis como o porre inaugural, formaturas, términos de namoro e afins.
Ontem foi outra. O laboratório do Rodrigo ganhou mais uma grana boa pra pesquisa, essa semana foi aniversário dele e eu fui promovida... Motivos em bônus culminaram em uma bebedeira fenomenal.
Se a comemoração é boa, nem penso em comer e aí a coisa vai descendo a ladeira igual caminhão sem freio... como foi ontem...
O problema é que eu sou o tipo bêbada emotiva, sabe? Quando a vaca vai pro brejo (e eu pro banheiro abraçar a "Celite") esqueço a comemoração e abro o bué, por qualquer motivo que seja. Também me encaixo no tipo bêbada educada - peço desculpas se dou trabalho pra alguém um milhão e meio de vezes, agradeço agradeço, agradeço... Não existe bêbado que foge do ridículo, né?
Outro pobrema ainda mais sério é que eu não devolvo ao mundo o álcool que aflige meu sangue - explicando, eu tenho problemas sérios, somáticos e inexplicáveis com a palavra "vomitar" e a coisa simplesmente não acontece. Eu fico ali sentada naquele chão frio, arrependida e amargando cada miligrama etílico passeando enlouquecido nas minhas veias. Até que chega uma hora que tudo pára de rodar eu eu vou dormir (o que pode levar horas, dependendo da amplitude do desbunde).
De repente, depois de um bocado de vinho (uns bons outros detestáveis, que só se toma em conseqüência da seqüência) e sem nenhuma comida, me vi ortodoxamente bêbada, a caminho de um restaurante tailandês (acredite, sóbria eu jamais toparia essa aventura gastronômica). As curvas que o carro fazia estavam longas, estranhas, a estrada balançava que nem navio... Uhn... nada bom. Me sentei por trinta segundos à mesa, olhei rapidamente aquele cardápio estranho, e parti determinada mas em direção ao banheiro. E lá fiquei, achando que ia morrer (sim, nesse estado eu sempre acho que vou morrer). A namorada do nosso amigo foi lá me ver, não consegui explicar direito o que tava sentindo (como falar inglês é difícil nessas horas!), depois foi o Rodrigo e eu supliquei "Amor, chama a ambulância, chchahama a ambulância."
Ele me levou até lá fora (só de pensar em sentar pra jantar eu me contorcia) e lá fiquei o resto da noite. Fui socorrida também por uma amiga que levou água, conversou comigo, e eu, claro chorei (aiaiai). Aí todo mundo te dá uma dica caseira de cura-bebedeira "Bebe bastante água, blá blá blá..." Básico.
Voltei pra casa, levei uma tigela da cozinha pro quarto (vai que num dá tempo de correr pro banheiro...), mas que nada, nada acontece. Mais alguns minutos no banheiro e depois voltei pra cama (com a tigela). Sigo a dica de um amigo bebum - se você deita e a cama roda, não deite, fique recostado e coloque um dos pés no chão. Complexo, requer alguma concentração no início, mas funciona. Dormi de roupão, toda torta, com a luz acesa... uma lástima.
O saldo nunca é positivo... minha ressaca é sempre moral e começa antes do dia seguinte. Me sinto um lixo, uma vergonha, um traste, lamentável.

Ah, mas já passou.

Irc,

Nat

Um comentário:

blog do fiote disse...

Pimenta,
comida tailandesa tem muita pimenta!
Melhor maneira de apagar um belo fogo é o Corpo de Bombeiros. Cura mais que chuveiro frio.
Mas preocupa não. Outro dia o meio fio atravessou umas tres vezes na frente da minha moto, fiz um retorno dois quilômetros depois que noquei: minha casa era pro outro lado. No "day after": batata Ruffles e Coca-cola, estrada de terra com muita poeira e aquela velha promessa de "é a última..." São sempre novas experiências.
Comemore a vida, viva a vida.
Bj.
Paulo "Fiote"