domingo, 21 de fevereiro de 2010

sobre o feriado

Então...
Lá não tinha trio, mas tinha carro-pancadão tocando aquelas coisas que aff... só alcoolizado mesmo pra se divertir. Mas tinha um bloco caricato com banda e aquelas musiquinhas bacanas de outros carnavais.
Vi a cabeleira do zezé váárias vezes, me disseram que birita num era água outras tantas, nem sei mais como era aquela história (argh!) de rebolation (vide billboards do carnaval tupiniquim).
Comi empada a r$1.50 todos os dias, finíssima!
Teve um dia que fiz cara feia e recusei a cerveja (depois de tentar empurrar a primeira goela abaixo, óbeveo).
Esse foi o segundo dia. Nos demais isso não ocorreu.
Num outro uma amiga me passou vodca com deus-nos-acuda e todo mundo se divertiu (as nossas custas, claro). Não satisfeitos, fomos pular do meio-fio pro meio da rua enquanto um outro amigo tentava capturar o momento com sua camera indiscreta.

No último dia, abstemio, achei que tudo tinha se acabado, inclusive eu.
O meu amigo não mandou as fotos até hoje. Acho que a censura pegou.
Ou ele se arrependeu e vai tentar procurar amigos normais.
Ah, o meu cachorro foi, viu e curtiu também.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

apego

Gente, a carga foi LIBERADA!

Pelo Skype...
- Deu tudo certo, então? Nenhum problema com a RECEITA?
- Não, nada, tudo correu bem.

Logo, brindamos ontem à noite.
- Vida longa ao FISCAL!


Descobrimos que, provavelmente, o caminhão venha do Rio no sábado e que talvez por isso tenhamos que viajar no final da tarde desse dia, ao invés de ir na sexta de manhã como combinado.
Tá, não é o ideal perder um dia de entrudo, mas se não tiver outro jeito, vai ter que ser esse mesmo.
GENTE, VOCÊS NÃO ENTENDEM, EU QUERO AS MINHAS COISAS!

E então hoje, tomando café cedo, me veio na cabeça...
- Acho que vai até ser bom receber as coisas e viajar depois...
- É? Você acha?
- É, olha só... Vou ter todas as minhas roupas pra levar no carnaval, vou poder fazer várias combinações, isso NAO É FANTASTICO?!?!?
...
Nada comovido, ele me olha com sarcasmo, dá uma risadinha e diz...
- Você ta tão preocupada com isso. Nem lembro direito quais roupas eu mandei.

Ai, os homens e o seu desapego vestuário.
Será que ninguém entende como é sofrido ficar órfão do próprio guarda-roupa, por CINCO MESES?

Todas aquelas blusas, os vestidos, as sandálias!!! Ah! Ja imagino todos os outfits!!!

Olha, isso já tava me incomodando, MESMO. Sem noção.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

a pergunta do ano

Você mora em Ouro Preto e o carnaval se aproxima.
A pergunta que mais ouvi na última semana foi...


Você fica... ou você corre?


Poisintão....
Sexta que vem estarei num interior ainda mais interiorano, numa casa do lado do cemitério, um lugar esquisito. Lá não tem trio elétrico (ufa!), tem kombi com som, homens travestidos...

Sobrevivendo, contarei mais detalhes.

alalaô.
Nat

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

calendário luliano

Sim, semana passada eu vi na Globonews.
A repórter tava dizendo que o presidente (aquele...) irá acompanhar de perto pra que não aconteça em 2010 a farra das horas extras no congresso como foi em 2009.
Aí logo em seguida ela disse que ele iria se reunir com xyzabcd na terça-feira, quando os deputados e congressistas voltariam ao trabalho.
Entendeu?
Logo depois passou uma reportagem dizendo sobre o aumento pornográfico de impostos sobre efgh no ano passado.
Conclusão?
A gente tem que ralar muito pra pagar as horas extras da moçada, uma vez que os dias úteis deles vão de terça a quinta. E olhe lá.
Assim até eu que sou mais besta...

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

o navio, as caixas e a arte de combinar roupas

Pois bem.
Lembram da história do container?
Sim, sim. Juntamos nossos trapinhos e bagulhos mais estimados, colocamos em 40 caixas e pagamos uma pequena fortuna pra serem trazidos ao Brasil de navio.
Deixamos a Austrália no final de setembro com uma mala de 20Kg cada um, contendo uma apuradíssima seleção de roupas supostamente suficiente pra dois meses, até a mudança chegar.
Enquanto isso eu me divertia horrores gastando mais algumas centenas de reais em cartório, autenticando tudo que se pode imaginar que existe de documentos e declarações de toda sorte. Tudo pra garantir que a gente não se enrolasse na balela burocrática da alfândega quando a carga chegasse.
A lenda do contrato dizia que chegaria aqui na segunda quinzena de NOVEMBRO, no porto do RJ e que tudo (tudo=total, certo?) ja estava incluso no valor que pagamos a cia transportadora.
Mas a fábula do não-acredite-em-tudo-que está-escrito confirmou que o bendito navio só chegou quase UM MÊS DEPOIS em Santos e com ele a cobrança de mais alguns milhares de dinheiros para custear coisas inimagináveis que se cobra pra tramitar um container num porto, além de mais algumas autenticaçõezinhas e documentozinhos pra liberar a carga de Santos pro RJ.
Enquanto isso, eu ja gastei meu repertório de combinações das roupas, e já nem lembro mais das coisas que estão pra chegar. Me pego frequentemente saudosa, lembrando de uma panela, uma blusa ou daquele jogo de toalha...
A família ajuda com doações e a gente monta a casa, eu peço dinheiro de presente aos meus familiares pra comprar roupas, lavo roupa três vezes por semana e fico felicíssima porque ganho uma baby look usada.
Aí a carga fica presa um mês em Santos, pois no inventário constavam CAIXAS, mas o que chegou é uma grande armação de madeira (com as caixas dentro!). Até explicar isso...
Semana passada a fdp*&^%$@#@!$^& carga chega no RJ. Eu esboço alguma felicidade.
Mas agora tem a alfândega = quinze dias ÚTEIS pra liberar.
Aí agora depende do fiscal.
Ninguém quer ouvir essa frase - depende do fiscal.

Não aqui, nesse Brasil varonil. A terra da eficiência.
(e em fevereiro, tem carnaval.)
Um calafrio me percorre a espinha e minhas pálpebras vibram descontroladamente.
Sacou o drama?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

29

Estréia hoje!
Primeiro dia de 29.
Igual vestir roupa nova.
Muita coisa começa hoje... Muita!!!


E viva eu!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

isso aqui, ôô...

Esqueci de contar esse caso. Aconteceu mês passado.
Fui levar o cachorro ao veterinário. Dirigia por uma ladeira estreita (em curva) de mão única, quando chegando no final da rua, imaginei:
-Já pensou se vem algum idiota na contra mão?
...
Gentem, queria eu que fossem os números da mega-sena que tivessem passado pela minha cabeça.
Vem o próprio idiota. Despretensiosamente, e ainda falando ao celular. Freia, olha pra minha cara mas continua no celular.
Não passam dois, então ALGUÉM TEM QUE VOLTAR DE RÉ! O manual diz que quem tá na contra mão, se não bateu, que se vire pra voltar.
Eu paro, olho pro céu, faço batuque no volante, ajeito o cabelo olhando no retrovisor e, cansada de esperar que ele engate a ré, olho fundo na cara do sujeito.
Ele enfim dá ré no carro, falando ao celular.
Avancei à medida que ele saía da minha frente e segui.
Ele espera no cruzamento, travando todo mundo, desliga o celular e faz cara feia.
Quando passo ao lado dele, ele manda essa de dentro do carro:
- Por nada viu??
...
Vi pelo retrovisor que ele voltou e seguiu pela mesma contramão.

Olha, eu nem perco mais meu tempo pensando porque é que temos que viver nesse trânsito adorável...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

não se deprima

Aquele bichinho que morde a gente na véspera do aniversário não me pega, mesmo.
Ainda faltam alguns dias pro 25 de janeiro chegar com os meus 29, então resolvi falar disso.
Não sinto nada diferente não. Calafrios, zonzeira, confusão mental, icterícia, espinha no nariz, visão turva... Essas coisas das quais reclamam 99% das pessoas quando a data querida se aproxima. A tal crise dos aniversários...
Penso que o tempo passa igual pra todo mundo, que estamos TODOS envelhecendo, inclusive seu sobrinho guti-guti que nasceu no fim-de-semana. Sim, inclusive ele, está aí à mercê do passar das horas, igualzinho a mim e a você.
Ainda não conheci ninguém que estivesse rejuvenescendo, alguém que andasse pra trás na linha da vida até você trombar com ele por aí, compartilhando a experiência de reaprender a fazer xixi na fralda e meses depois um embrião... Deixa pra lá.
Enfim, acho uma imensa baboseira essa reflexão pra lá de cansativa do "é, estou ficando velho". A humanidade não muda esse disco. É a reclamação mor da vida, acho. É tão inútil e vazio quanto reclamar que a chuva vem de cima.
E me cansam essas reflexões inúteis. O pior é que, como tudo, a gente aprende isso por repetição, porque crescemos vendo as pessoas ao nosso redor repetindo a mesma bobagem.
Eu penso, na véspera do meu aniversário, em como aproveitar cada vez melhor o tempo.
Porque fora o fato de que meus cabelos estão ficando brancos num ritmo galopante, por mim tá tudo bem que o tempo passe.
Eu não consigo mais dar cambalhotas nem colocar os pés atrás da cabeça, mas aprendi a usar melhor meus neurônios. É de mais utilidade que as cambalhotas, garanto. Não tenho esses saudosismos não... E se todos fôssemos contabilizar, a lista dos "aprendi a" seria infinitamente maior do que a dos "não consigo mais".
Mas ninguém pensa nisso, pois todo mundo prefere reclamar.
A maior tolice é acreditar que vamos morrer de velhice, e por isso vamos vivendo a vida de maneira tão comedida, pequena, reclamando mais que realizando.
E acho mesmo que muita gente por aí deveria se ocupar de preencher seus dias com mais feitos positivos do que com lamentos. É o que eu me desejo sempre no meu aniversário.
Porque do tempo que nos resta, sabemos muito pouco.

"(...)Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...
Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo..."
Oração ao Tempo. Caetano Veloso

:) aquela que envelhece sem pestanejar

Nat

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

a idade das calças

Olha, hoje estava tão calor, mas tão insuportavelmente alto forno mode on, que comecei a delirar.
...
Imaginei que daqui a alguns poucos anos os professores ensinarão nas aulas de geografia que nesta década atual as pessoas ainda saíam de casa usando calças em pleno verão, que essa ainda era a época das calças, dos ternos e afins, que ainda era comum o sacrifício de usar tais vestimentas.

Acho que vai acontecer da mesma forma que se deu com os espartilhos, as ciroulas, os vestidões armados, as toucas pra dormir e as peruconas brancas.
Falta pouco (na verdade tá quase!) pra chegar o dia em que se tornará tarefa impossível trajar calças nesse calor insano.
Assim, não vai ter mais sentido, entende?

Por isso começo já a trocar meu guarda-roupa. Corto as pernas das calças, moleton vai virar flanela de tirar pó, meias pra quê?

Eu estava de calça jeans e regata enquanto tentava, meio zonza, dirigir.
Mas eu juro, eu sentia como se vestisse moleton e pantufas enquanto tomava uma canja quente.

Pode ir anotando aí que você vai contar ao seu neto, diante dos olhos esbugalhados dele que na sua época você ia trabalhar de calças.
E que terno na versão shortinho era coisa i-ni-ma-gi-ná-vel.



Me abana!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

feliz ano velho!

Um champagne estourou antes da hora, por descuido nosso. E foi uma salva de -
uuuuuu, êêê mané!Ainda nem deu meia-noite!!! Desperdiçando aê!
Mas logo a seguir todos aderiram a minha ideia de brindar 2009. E não houve quem não quis erguer as taças em nome de qualquer coisa boa que veio do ano velho!
Teve assunto o brinde! Teve conteúdo, demorou!
Foi bem melhor que brindar o que ainda ia começar...

Meu ano velho foi FELIZ!!!

Meu ano novo começou com uma caganeira sem fim. Isso significa alguma coisa? Ai, nem quero pensar...

Sem muitas previsões, prefiro ir à luta!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

já começou


Noite passada sonhei que fui prestar vestibular.
Cheguei meia hora atrasada, ainda na tolerância do horário (!!!), consegui entrar pra fazer a prova (hein?). Mas por causa do atraso, meu tempo ficou ainda mais curto que os demais candidatos (como punição pelo atraso, eu tinha só uma hora pra fazer tudo!).
Mas fiquei tão nervosa que não consegui fazer nada, nem a ridícula prova de inglês.
Brigaram comigo, tomaram minha prova, me mandaram embora.

Fiquei indignada, segurei a cabeça com as duas mãos e repetia desesperada que estava fudida, chorei, esperneei, apelei pro sentimentalismo...

- Mas moço se eu perder essa chance, só ANO QUE VEEEEMMMM!!!! Deixa eu terminar a prova, PELOAMORDEDEUS!!!


...

Isso é só o começo, pessoal!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

disfunções natalinas

Alguém aí desse lado ta acostumado a ter o tal Feliz Natal igual os capítulos natalinos das novelas, ou o da propaganda de fim de ano da Globo?
Isso me deixa encucada... Porque pra mim Natal nem sempre foi isso.
Passada a infância, em que Natal é seeeempre bom, com todos aqueles brinquedos (nunca pude reclamar disso, Papai Noel sempre foi legal comigo nesse ponto), esta data deixava cada vez mais a marca chata de separação.

Explico.

Ser filha de pais separados (e filha única também), significa que nessas datas é necessario escolher entre estar com uma família ou com a outra. Por isso, o almejado Feliz Natal não é regra pra mim.
Escolho estar com uma família, aí a outra reclama, faz drama, chantagem emocional (cada qual a sua maneira) e te pregam na cruz. E você nem tem um irmão pra te ajudar no discurso dos porquês. A carga pra manter a diplomacia é sua, só sua.

Durante muitos anos dividi minha noite de Natal em duas. Chegava uma determinada hora, eu deixava uma família e ia ceiar com a outra. Resultado? Família A chateada, porque não fiquei até o final da festa/ família B aborrecida porque a ceia já tava quase fria.
Ah, eu, sim, eu - indignada de ter que sair no meio pra pegar outra festa no final.

Além disso, já dirigiram pela cidade no meio da noite de Natal? Existe uma enhaca no ar que emana uma depressão /sensação de abandono qualquer.
Acho que era eu.

Ja tentei viajar na noite de Natal, também não funcionou direito. Menti dizendo que tinha que trabalhar (era recepcionista de hotel na época). Mas passei tanto tempo no telefone ouvindo “que chato, hein? Mas que coisa!“, que acabei me aborrecendo por igual.
Passei dois natais na Austrália que não tiveram cara de Natal (a cara que sempre teve pra mim), aí foi ótimo.


Então estou de volta, e decidi que a onda agora é simplificar a MINHA VIDA.
Por isso esse ano eu vou ficar com minha mãe (leia-se com a família da minha mãe também).
E por quê? Ora bolas, porque é minha mãe e pronto! Simples.

O problema do Natal (além da maionese estragada e das canções natalinas insuportáveis) é que a gente fica angustiado por não poder se dividir igual ameba pra atender a todos que nos requisitam e puto porque tem que explicar mil vezes que não ama menos aquelas pessoas com quem a gente não está.


Fora isso, é legal.
Adoro as comidinhas, as decorações, os presentes! Quem não gosta?



domingo, 6 de dezembro de 2009

que país é este? é a p... do Brasil

Nenhuma outra palavra do nosso dicionário esteve tão em baixa quanto a palavra absurdo. Assim como qualquer outra que se menciona em demasia, ela soa, sei lá, desbotada, sem impacto, insosa.
Então, não vamos falar em absurdo. Vamos falar em esdrúxulo. Pra mim essa soa mal, muito mal, soa tambem vergonhoso, horrendo, nojento.
Isso eu me pergunto após os tais vídeos, em qualidade HD diga-se de passagem, daqueles senhores arrecadando (?) todo aquele dinheiro, se absurdo é suficiente pra qualificar o que se passa na nossa realidade. Absurdo virou uma palavra fraquinha, debilitada no Brasil, de tanto que a gente a utiliza corriqueiramente.
Mas corrupção é uma outra desconfortável de se ouvir, ainda mais sabendo quem trabalhou pra gerar aqueles bolos gordos de notas nas mãos daqueles senhores. Porque é para as mãos deles que o nosso esforço vai.
Piora o desconforto sabendo quantos meses o brasileiro trabalha em média pra pagar impostos europeus e ter que se virar pra viver no terceiro mundo.
Sim, terceiro mundo, é onde posiciono o Brasil, nos meus conceitos. Pois não adianta nossa economia despontar, nossa indústria ser forte, nossas exportações se espalharem mundo afora, nosso PIB aumentar, o pré sal... e tudo mais. Terceiro mundo é onde o interesse da tirania política sobrepõe o respeito a população. Então nessas horas eu me sinto sim, no terceiro mundo. E ponto final. Pesquisa nenhuma me convence do contrário.
Porque no terceiro mundo, é salve-se quem puder. E aqui no terceiro mundo, a gente tem que se virar pra nos proporcionarmos o que aquela grana deveria nos proporcionar. Então, sorte de quem pode pagar o que o governo nåo nos dá de volta em troca pelos impostos que pagamos. Sorte de quem pode viver com alguma segurança, sorte poder pagar plano de saúde e educação de qualidade, sorte poder morar em rua asfaltada ou em bairro com saneamento.
Aqui no terceiro mundo, eu me sinto largada à minha própria sorte.


E sabe, depois de termos aquela cena invadindo nossa televisão e ceifando o que resta da nossa confiança, temos aquela amarga e nítida sensação de que vai dar em NADA, que daqui a pouco já se esqueceu a respeito, ou que o escandalo será sobreposto por outro ainda pior.
Aqui, no terceiro mundo, tudo que o governo tem a nos dizer, figura numa grande piada de mal gosto.
Votei nulo nas ultimas eleições, e claro, fui criticada. Me disseram que quem não participa nåo pode reclamar depois (como se fosse vantagem ou se adiantasse), entornaram nos meus ouvidos uma lorota qualquer de que o voto é o poder do povo...
Mas não nesse país, certo, companheiro?

Pra mim a equação é simples. Quem não respeita meu trabalho não merece meu voto.
E passados esses anos, vejo, entristecida, que não me arrependo dos votos anulados.
Porque eu continuo não concordando em sustentar bandido. Nem os do presídio, nem os do planalto.
Eu tenho vergonha desse país.

(...) sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
mas todos acreditam no futuro da nação.
Que país é este? (...)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

divagações desacertadas sobre aleatoriedades espinhentas que te acordam na segunda de manhã

Interessante como resoluções dolorosas podem mesmo ser necessárias.
Como as mais importantes movimentações são polêmicas, sempre.Pois o apoio vem de diferentes maneiras, de cantos inesperados, ou talvez não venha. E que esperar por ele é uma grande bobagem que a gente faz.

Como as descobertas nunca vêm com estrela na testa. Elas parecem um bicho camuflado à primeira vista.

E que não há nada que não mude nunca. E que por isso não vale a pena contar que as coisas, por melhores ou piores que sejam permanecerão as mesmas. E que por isso, a gente não se apavore e nem se acomode demais.

Aprendi que ser capaz de compreender é privilégio de quem sabe amar de verdade.
Pois todos dizem amar, mas nem todos sabem fazê-lo. A música estava errada quando dizia que "qualquer maneira de amor vale a pena".
Então para alguns tipos de amor, prescreve-se o silêncio, a distância, os ouvidos mais atentos, escudos ou armaduras. Isso porque algumas pessoas machucam sem ver quando dizem amar. Outras, amam sem dizer e machucam igualmente.

E que o que a gente quer às vezes é diferente do que a gente precisa. E do que a gente diz precisar nem sempre a gente precisa mesmo.

Ando pensando que o nosso lugar no mundo é o nosso lugar dentro de nós mesmos. Este lugar sim, deve ser construído cuidadosamente, pra que sempre que olharmos pra dentro a gente se encontre.

E em todos os outros lugares que a gente ocupa, é bom que saibamos que estamos sempre de passagem, pra que isso não nos cause dor.
Por isso ser forte é o que há. Vou dizer por aí que tá na moda.

"Don't tell me that I won't
I can
Don't tell me that I'm not
I am
Don't tell me that my masterplan
Ain't coming through
Don't tell me that I won't
I can
Don’t tell me how to think
I fell
Don't tell me cause I know what's real
What I can do

Something that you don''t see every day
A little girl who has found her way
In a world that tries to take away
All of your dreams
(...)
And when we're singing it out our voice
We can make that choice to be free"
Free me - Joss Stone

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

zona rural

O fixo ja foi, o celular, acabou de ser parido.
Por enquanto, a gente se comunica como pode.


Ah!A Internet? Ta quase, gente, quase!
Aceito mandingas, rezas... to fazendo qualquer negocio!!!

sábado, 31 de outubro de 2009

torto


Não há nada que justifique o que é errado.
O errado que sempre será errado, em qualquer época, tribo, latitude, partido político.
Existe aquele errado relativo, que sempre depende disso ou daquilo.

Mas existe um errado puro, igual a um tumor. Não existe um tumor bom, benéfico. Ainda que seja benigno, é errado, não pertence àquilo ali, vai contra a natureza, é um erro do funcionamento normal da coisa. Torna a coisa inteira errada.

E porque é que temos que aceitar esse errado?

Tenho que aceitar porque não tem remédio? Isso não torna o errado certo, muito menos bom, sequer razoável.
Aquele de tão errado que não dá nem pra quebrar um galho. Bicicleta sem rodas.
Esses errados nos dão o direito de estarmos insatisfeitos, tristes, putos, frustrados. Eles nos dão o direito de repensar a nossa tolerância.

Então me dá licença. Eu estou no meu direito.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

eu, robô

Olha, eu não entendo.
Tava passando essa propaganda com umas imagens lindas, de pessoas tomando chuva no rosto, brincando num balanço, tomando vento nos cabelos e tals...
E os seguintes dizeres apareciam (mais ou menos assim):
"Você já imaginou... se a tecnologia... fizesse com que você... se sentisse mais humano?
Conheça VAIO"
°°
Perái gente, páratudosocorro!
Existe uma gradação, mais humano, menos humano?
Não existe e prontoacabou! (pausa pro chilique)
Eles querem me convencer de que eu poderia ser mais humana? Com a ajuda da tecnologia???
Você conhece alguém 72% humano??? Seu vizinho é só 56%? Você está lutando pra chegar nos 87%? Aquela sua amiga atingiu 92% em um mês?
Tipo assim igual azeite, água destilada, lençóis de algodão, extrato de baunilha, bebida alcoólica, essas coisas com uma porcentagem de pureza ou concentração?
Eu não entendo, juro que não.
Entenderam meu ponto?
Eu to confusa, desculpa aí o mal jeito.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

me erra

Não importa que você já esteja quase nos trinta.

Pra algumas pessoas não há limites. Elas sempre se sentirão no direito (ou no dever) de te dizer o que fazer, como quando você tinha dez ou quinze.

E elas despejam isso sem pestanejar; e te cobram, como se você realmente tivesse que fazer (e fosse fazer!) o que elas dizem.

Não me venha com esse papo de que "eu falo pro seu bem". Isso não é amor, é falta de respeito.

Já passei também da fase de perder meu tempo explicando meus porquês, até porque ninguém está disposto a entender. Então que se dane.

A gente só cresce quando assume os riscos de assumir suas posições, doa a quem doer. Porque quem não é forte pra isso não vive a própria vida, vive a vida que os outros querem pra gente.

Ainda bem que não vim ao mundo pra agradar.
Foi mal aí, mas não vai dar não.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

tá na hora

Nada mais injusto do que não ter escolha. Sacanagem, ironia de verdade.
Alguém que não tem escolhas e tem que aceitar o inaceitável ou o razoável, é alguém triste, penso eu.
Mas nada é mais ridículo do que ter escolha e não conseguir escolher.
É simplesmente ridículo. E é também sacanagem, ironia de verdade.
A gente pensa que quando as escolhas pipocarem nas nossas mãos, teremos adultescência (âhn?) suficiente pra apontar e dizer sem pestanejar: "é isso aqui mesmo".
Mas adultescência é um estado de espírito, tipo um espirro, ou seja, às vezes...
Vou pular a parte das respostas e caminhos, nhénhénhé.
Frustrante pensar que deveria estar um tantão feliz agora mas não dá tempo pra isso.
Porque não se encontra satisfação no meio de incertezas.
A gente não se encontra no meio de incertezas.
E quando a gente não se encontra, a gente encontra quase nada.
Quase tudo parece errado e a gente parece tão errado quanto vazio.
Tem coisa na vida que devia vir com manual, placas, calculadoras, simuladores 3d.
Eu não estaria à beira da minha beira, sem eira.
E não é a primeira vez.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ando-se

No início a gente não entende.
Por que mesmo que o céu esteja nublado a gente ganha um bronzeado gringo-camarão
Por que trânsito é sinônimo de insanidade
Pra que existem quebra-molas nas ruas de pedra off-road
Ou por que é mesmo necessário (ou divertido) lavar a calçada com a mangueira durante horas
Por que tudo demora tanto mesmo com 255 funcionários trabalhando debaixo do mesmo teto
Por que existe tanto cachorro abandonado na rua
Por que (mas por que mesmo????) que o Lula ainda lula-lá
Pra que é que servem mais 8000 novos cargos pra vereadores que não servem a niguém
Por que as pessoas ainda se ocupam em me perguntar surpresas (como se não soubessem meeesmo) porque é que não quero filhos
Pra que se marcam horários que nunca são cumpridos
Pra que mesmo serve o Sarney? Nem o Lula votou nele...
Por que todo mundo acha que quem volta do exterior volta rico?

Me disseram que tenho seis meses pra reclamar do Brasil.
Mas eu já sei porque amo isso aqui, afinal...