Toda vez é a mesma novela.Eu clico em "Emitir bilhete" e a aflição que ali se inicia só termina na viagem de volta, quando o passarinhão aterrisa em casa.
Eu não gosto do barulho, do espaço (hein, espaço?), dos sacolejos, do aviso sonoro de apertar os cintos, embarcar, acelerar as turbinas, dos comissários de bordo, o serviço de bordo, o desesero a bordo.
Aquilo é uma tortura, um aperto no coração.
Garganta fechada, mãos suadas.
Não importa que seja rápido, tranquilo, sem dramas. Eu vejo passar cada segundo no relógio, cada nuvem pela janela, rezo para que acabe logo, ou para que eu pelo menos me aguente até lá.
Ele ganha os céus e é só um passarinho, à mercê de qualquer coisa que venha ao nosso encontro, desde "turbulências inesperadas, de céu claro ou de dias nublados", a um mecânico relapso que não viu um fio descascado ou qualquer perrengue que nos transforme em poeira em segundos, ou em um punhado de traumatizados depois de um pouso de emergência.
Sou só uma formiguinha naquele ceu gigante, presa naquela cabine, desejando um pára-quedas, mais que um remédio pra me anestesiar até o fim da viagem.
Aí lembro da passagem pro Brasil, que já tá comprada... Lembro também que quero rodar esse mundo todo...
E pergunto, querendo fazer graça: "Num dava pra ser de navio não? Ainda não inventaram um trem-bala-submarino? Que absurdo!!"
Sim, porque nadar eu sei, mas voar... ainda estou atrás de lições básicas, pelo menos.
Ah!A viagem a Melbourne foi linda!!! Passem no meu orkut pra dar uma olhada!
Quando eu crescer, não vou ter medo de avião.
Nat