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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

vida louca, vida

descobri recentemente que há medidas pra coisas que achava terem medidas exatas e imutáveis.
Sentimentos e estados de espírito entram sem bater e nossas respostas costumam ser desmedidas (não só as verbais, mas também as que nascem no silêncio).
Por melhores que sejam nossas intenções e por mais que estejamos providos do perfeito discernimento nem sempre a forma como respondemos será a mais acertada.
E ainda que naquele momento não sejamos capazes de compreender que a reação ou o plano simplesmente não funcionou, o tempo acaba respondendo.
Porque continuamos indignados com o tal "onde foi que errei" e lá se vão noites de sono.
Até o cansaço nos convencer de que, sim, remediado já estava.
Aí eu olhei pra trás e me convenci de que a gente acaba achando por acaso a tal medida e aceitando seu aparente absurdo.
Porque ele funciona.
Então eu relaxei, e assim eu carrego com leveza coisas que antes eram pesadas demais, sem necessariamente tê-las feito assim. Elas continuam a ser o que são.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

sobre quem você ama de verdade

Já reparou que no orkut e afins, todo mundo ama todo mundo?
Não importa há quantos séculos a fulana não se esforce pra ver sua cara, ou quanto vocês já se desentenderam e não fazem questão uma da outra. Não importa que você não esteja nem aí pra figura, ou que ela jamais te daria uma mãozinha num dia deprê.
Não importa mesmo, pois, nas teias virtuais sociais, todo mundo ama todo mundo.
Já percebeu? Dá uma reparada então em como as pessoas pesam a mão na hora de digitar elogios e declarações.
E por que? Eu me pergunto.
Por que diabos, pessoas que sei que não me amam (com certeza) escrevem melosamente que sou linda, incrível, que morrem de saudades de mim, e claro, ô! Me amam, como sou amada!
E tenho certeza que é assim com um monte de gente também.
Pra quê mentir, exagerar, dissimular? Pra manter grande a lista de amigos que na verdade nem são tão amigos assim? Pra mostrar o quê pra quem? Quando na verdade, na real, não somos tão intensos, tão presente, tão felizes e nem tão apaixonados assim. Quando nunca, nunca mesmo seríamos capazes de tal demonstração de afeto cara a cara.
Na minha infância tinha o tal do correio elegante (das antiga). Eu nunca entendi pra que servia aquilo. Você já tava ali no mesmo ambiente que a pessoa. Pra que mandar recadinho? Se não fosse pra falar pessoalmente eu simplesmente achava que o recado era dispensável. E se a figura era desafeto, era melhor nem olhar pra ela, quanto menos mandar bilhetinho discorrendo sobre meu desprazer em respirar o mesmo ar que ela. Vez ou outra recebia um de alguma amiguinha, (já antecedendo scraps): "Amiga, te adoro, + q D+! ". Lembro da preguiça em responder, pois, era óbvio, se eu não gostasse dela da mesma forma não seríamos amigas... dã! Mas, educadamente, eu retribuía outro confirmando. Aiai...
Mas voltando às redes embaraçosas...
Essa artificialidade de intenções, de exibicionismo barato, essa dissimulação pra manter o outro interessado na sua vida (à distância), essa necessidade de se sentir cercado, observado, seguido...
Isso não tem nada de relacionamento.
Pra mim, é só uma forma de manter o distanciamento sem se sentir só.
Uma enganação, que muitos, ávidos, aceitam de bom grado e retribuem da mesma forma.
Quando existem formas tão mais sinceras de expressarmos o que é inerente, verdadeiro, essencial. Não é digitando, garanto.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

mantra

O pior burro é o dissimulado.
E tenho dito.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

disfunções natalinas

Alguém aí desse lado ta acostumado a ter o tal Feliz Natal igual os capítulos natalinos das novelas, ou o da propaganda de fim de ano da Globo?
Isso me deixa encucada... Porque pra mim Natal nem sempre foi isso.
Passada a infância, em que Natal é seeeempre bom, com todos aqueles brinquedos (nunca pude reclamar disso, Papai Noel sempre foi legal comigo nesse ponto), esta data deixava cada vez mais a marca chata de separação.

Explico.

Ser filha de pais separados (e filha única também), significa que nessas datas é necessario escolher entre estar com uma família ou com a outra. Por isso, o almejado Feliz Natal não é regra pra mim.
Escolho estar com uma família, aí a outra reclama, faz drama, chantagem emocional (cada qual a sua maneira) e te pregam na cruz. E você nem tem um irmão pra te ajudar no discurso dos porquês. A carga pra manter a diplomacia é sua, só sua.

Durante muitos anos dividi minha noite de Natal em duas. Chegava uma determinada hora, eu deixava uma família e ia ceiar com a outra. Resultado? Família A chateada, porque não fiquei até o final da festa/ família B aborrecida porque a ceia já tava quase fria.
Ah, eu, sim, eu - indignada de ter que sair no meio pra pegar outra festa no final.

Além disso, já dirigiram pela cidade no meio da noite de Natal? Existe uma enhaca no ar que emana uma depressão /sensação de abandono qualquer.
Acho que era eu.

Ja tentei viajar na noite de Natal, também não funcionou direito. Menti dizendo que tinha que trabalhar (era recepcionista de hotel na época). Mas passei tanto tempo no telefone ouvindo “que chato, hein? Mas que coisa!“, que acabei me aborrecendo por igual.
Passei dois natais na Austrália que não tiveram cara de Natal (a cara que sempre teve pra mim), aí foi ótimo.


Então estou de volta, e decidi que a onda agora é simplificar a MINHA VIDA.
Por isso esse ano eu vou ficar com minha mãe (leia-se com a família da minha mãe também).
E por quê? Ora bolas, porque é minha mãe e pronto! Simples.

O problema do Natal (além da maionese estragada e das canções natalinas insuportáveis) é que a gente fica angustiado por não poder se dividir igual ameba pra atender a todos que nos requisitam e puto porque tem que explicar mil vezes que não ama menos aquelas pessoas com quem a gente não está.


Fora isso, é legal.
Adoro as comidinhas, as decorações, os presentes! Quem não gosta?



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

divagações desacertadas sobre aleatoriedades espinhentas que te acordam na segunda de manhã

Interessante como resoluções dolorosas podem mesmo ser necessárias.
Como as mais importantes movimentações são polêmicas, sempre.Pois o apoio vem de diferentes maneiras, de cantos inesperados, ou talvez não venha. E que esperar por ele é uma grande bobagem que a gente faz.

Como as descobertas nunca vêm com estrela na testa. Elas parecem um bicho camuflado à primeira vista.

E que não há nada que não mude nunca. E que por isso não vale a pena contar que as coisas, por melhores ou piores que sejam permanecerão as mesmas. E que por isso, a gente não se apavore e nem se acomode demais.

Aprendi que ser capaz de compreender é privilégio de quem sabe amar de verdade.
Pois todos dizem amar, mas nem todos sabem fazê-lo. A música estava errada quando dizia que "qualquer maneira de amor vale a pena".
Então para alguns tipos de amor, prescreve-se o silêncio, a distância, os ouvidos mais atentos, escudos ou armaduras. Isso porque algumas pessoas machucam sem ver quando dizem amar. Outras, amam sem dizer e machucam igualmente.

E que o que a gente quer às vezes é diferente do que a gente precisa. E do que a gente diz precisar nem sempre a gente precisa mesmo.

Ando pensando que o nosso lugar no mundo é o nosso lugar dentro de nós mesmos. Este lugar sim, deve ser construído cuidadosamente, pra que sempre que olharmos pra dentro a gente se encontre.

E em todos os outros lugares que a gente ocupa, é bom que saibamos que estamos sempre de passagem, pra que isso não nos cause dor.
Por isso ser forte é o que há. Vou dizer por aí que tá na moda.

"Don't tell me that I won't
I can
Don't tell me that I'm not
I am
Don't tell me that my masterplan
Ain't coming through
Don't tell me that I won't
I can
Don’t tell me how to think
I fell
Don't tell me cause I know what's real
What I can do

Something that you don''t see every day
A little girl who has found her way
In a world that tries to take away
All of your dreams
(...)
And when we're singing it out our voice
We can make that choice to be free"
Free me - Joss Stone

sábado, 31 de outubro de 2009

torto


Não há nada que justifique o que é errado.
O errado que sempre será errado, em qualquer época, tribo, latitude, partido político.
Existe aquele errado relativo, que sempre depende disso ou daquilo.

Mas existe um errado puro, igual a um tumor. Não existe um tumor bom, benéfico. Ainda que seja benigno, é errado, não pertence àquilo ali, vai contra a natureza, é um erro do funcionamento normal da coisa. Torna a coisa inteira errada.

E porque é que temos que aceitar esse errado?

Tenho que aceitar porque não tem remédio? Isso não torna o errado certo, muito menos bom, sequer razoável.
Aquele de tão errado que não dá nem pra quebrar um galho. Bicicleta sem rodas.
Esses errados nos dão o direito de estarmos insatisfeitos, tristes, putos, frustrados. Eles nos dão o direito de repensar a nossa tolerância.

Então me dá licença. Eu estou no meu direito.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

me erra

Não importa que você já esteja quase nos trinta.

Pra algumas pessoas não há limites. Elas sempre se sentirão no direito (ou no dever) de te dizer o que fazer, como quando você tinha dez ou quinze.

E elas despejam isso sem pestanejar; e te cobram, como se você realmente tivesse que fazer (e fosse fazer!) o que elas dizem.

Não me venha com esse papo de que "eu falo pro seu bem". Isso não é amor, é falta de respeito.

Já passei também da fase de perder meu tempo explicando meus porquês, até porque ninguém está disposto a entender. Então que se dane.

A gente só cresce quando assume os riscos de assumir suas posições, doa a quem doer. Porque quem não é forte pra isso não vive a própria vida, vive a vida que os outros querem pra gente.

Ainda bem que não vim ao mundo pra agradar.
Foi mal aí, mas não vai dar não.