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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bill, Sue e as malas

Bill e Sue vieram passar 4 dias conosco. Ficariam aqui em Ouro Preto, depois seguiriam para o congresso em Búzios e depois para Galápagos.
Bill é o ex-chefe do Rodrigo, da Austrália. Sue, a esposa dele.
São um "lovely" casal, como diriam por lá. Estão na faixa dos 60 anos; são muito cultos, inteligentes, viajados, pessoas interessantísssimas.
Chegaram no Rio no dia anterior à vinda para cá. Ligaram pra gente do aeroporto, contando que suas malas não tinham vindo. A cia aérea, lá em Sydney, não embarcou as bagagens deles. Colocaram o Rodrigo em contato com a TAM para combinarem de entrega-las em Ouro Preto dali a dois dias. Disseram que tinham algumas coisas nas malinhas de mão.
Menos mau, né? Pelo menos a escova de dentes...
Só conseguia pensar: Que chato isso, viajar por tantas horas e não ter uma roupa pra trocar, não ter suas coisas. Sempre me senti assim em relação ao que carrego comigo em viagens. Ao chegar num lugar estranho, aquilo ali vai te dar um conforto. Ter suas roupas limpas, sua toalha, seus cheiros, seu pijama. A sensação de que está tudo em ordem, enfim.

Organizamos a casa na véspera. Compramos goiabada cascão, doce de leite, castanhas-do-Pará, chás no Mercado Central, queijo minas frescal e outro meia-cura, dois tipos de manga, mamão, abacaxi; e , claro, nos certificamos de que havia pão-de-queijo suficiente (caseiro,tá? Peloamordedeus).

A visita foi maravilhosa. Há dois anos não os via. Que maravilha ter a oportunidade de conversar com eles novamente! Como são cultos; como conhecem o mundo, as coisas, os livros, as plantas (inclusive as do meu quintal!), como se interessam por tudo, querem experimentar tudo, ouvir, ver, conhecer (tinham lido, antes da viagem, a história da vinda de D João com a corte e também sobre Tiradentes).
Não fazem pré-julgamento de nada, como olham as coisas com a mente aberta, como ficam maravilhados com tudo. O mamão era "lovely!", a goiabada "wonderful!", as mangas e seus sabores distintos, "surprising!".
E sempre, sempre, têm uma história interessante pra contar.

Mas as malas não chegaram conforme prometido. A TAM se comprometeu a entregá-las em Búzios.
Mais alguns dias com as mesmas roupas, pensei, que transtorno.
Mas aí eu olhava o Bill, com sua calça cáqui, e sua camisa social com um furo debaixo do braço, descalço; sentado na nossa varanda, observando o quintal e achando lindo poder ver montanhas em volta e ouvir pássaros diferentes. Perguntava sobre a pedra São Tomé que reveste o chão, sobre a construção do vizinho, sobre os portugueses. Eram ele puritanos como os ingleses, no relacionamento com os colonos e escravos?
Comecei a perceber que estava mais preocupada do que eles a respeito das malas.
Enquanto a Sue descansava tranquila no sofá, comentei que se estivesse em seu lugar, estaria realmente chateada por não ter minhas coisas. A resposta foi... "surprising":
"Na verdade... não tinha nada muito importante na mala. Só iria me fazer falta a minha roupa de mergulho. Não queria chegar em Galápagos sem ela, pois a água é muito fria e eu não poderia mergulhar."

Acho que estou refletindo até hoje sobre isso.
O que há de mais importante na mala que a gente carrega? 
Pra que serve a tola sensação de preciosismo, o receio de usar o mesmo par de meias por vários dias?
O que é de fato importante na viagem? O que te veste ou aquilo do que você se despe?



terça-feira, 20 de setembro de 2011

o sistema devia cair

Tudo começou com o ferro de passar e sua garantia extendida.
Logo após me revoltar com a duração curtíssima dos eletrodomésticos, vi-brei quando descobri que ainda estava na garantia.
Levei o ferro na loja.
Não, não é assim. Liga no "Atendimento" (essa palavra me causa petéquias), explica o sisnistro, pega uma senha e volta aqui pra fazermos a troca.
Ferro na mochila, volto com ele pra casa.
30 minutos, três atendentes, cinco repetições do CPF, endereço, estado civil (relevante???) ... e  então consigo uma senha cabalística de 21 DÍGITOS e uma outra de 6.
Pronto, é só ir à loja com esses números e trocar por um ferro novo.
Assim sendo...
Vendedor1: É troca? Fala ali com o gerente.
Gerente: O quê, é so troca? Qualquer vendedor lá embaixo pode fazer isso pra você.
Vendedor2: Num sei fazer isso nesse sistema novo não.
Gerente: Fala ali com a fulana que ela te ajuda.
Fulana solícita, graças aos céus...
Mas o sistema era novo, ninguém sabia direito as telas, onde colocar os números, que números eram aqueles... 
Me distraí com uma das tvs gigantes na parede, que mostrava uma imagem irritantemente nítida de um grupo de garças à beira de um rio no Pantanal. Que inveja das garças. Sem números, protocolos nem ferros de passar.
Vendedor2: vou na outra loja e chamar a Fulaninha pra me ajudar, ela sabe melhor desse sistema.
Li a tela onde elas pelejavam. Só pensava em pegar o ferro do mostruário e falar pra eles se virarem com o resto da burocracia.
Chega a fulaninha, que não acrescenta muito, além da boa vontade em conferir os números e digitá-los novamente.
Vamos ligar no "Atendimento" pra conferir.
Petéquias afloraram vermelhinhas.
Meus dados pessoais e o engodo dos números malditos viajaram kilômetros na fibra ótica e nos cubículos de ao menos meia dúzia de atendentes; além de ocupar consideráveis minutos do dia de vários trabalhadores da loja, que deixavam seus clientes pra desatar aquele nó.
Todos culpavam o sistema novo. Não tiveram treinamento suficiente, estão tendo que aprender na marra, etc.
Pausa.
Já trabalhei com treinamento e suporte de software. Essa conversa é fiadíssima. Fato é que ninguém quer que o sistema mude. Ninguém gosta de ter sua ferramenta de trabalho alterada. E pra fazer pirraça, não prestam atenção ao treinamento, acham que na hora conseguem se virar. Mas na hora h, a culpa é do sistema, do treinamento, da rede... E claro, o anterior, ainda que fosse um lixo, sempre será melhor que o novo. Parecia que eu tava revendo um trailer de um filme antigo.
Voltando
Vem o gerente e faz política: Olha, me desculpe, mas essa é a primeira troca que estamos fazendo com o sistema novo, viu ?!
E nem pra vocês me darem um prêmio por ser a cobaia, pensei comigo...
Vem outro vendedor que desiste e depois outro.
Até que eu ouvi que não ia ter jeito, que o sistema não registrou, que a senha que me deram era inválida e que eu receberia um reembolso da empresa da garantia.
Não não. Não quero reembolso. Tenho o direito de levar um ferro novo.
Tensão...
A fulana respira fundo. Vamos tentar mais uma vez.
Tá, mas deixe eu falar com a atendente. Peguei o fone.
Quero a senha, está faltando uma senha aqui. A que me deram mais cedo tava errada.
Ah, senha? Sim, anote aí.
Não, eu não havia trocado 3 por 6. Era um número completamente diferente.
A fulana comemora radiante: Ah! Deu certo! Era a senha! ...
E me dá um abraço!
Ah, Natália, que bom! Coitada de você, esperando por tanto tempo!
Meu sorriso de consumidora surpresa e aliviada...
Mais uma peleja de 15 minutos pra registrar que fiz a troca. E mais um vendedor pra ajudar com as medonhas telas azuis. Sim, pois o que atrapalhava agora, descobrimos (comigo ajudando), era que o nome da rua é Ipê e não Ype. Aí travava tudo.
Devia ter explicado que era nome de árvore e não de detergente?

Olha, podemos repensar esses sistemas e voltar a anotar no papel de pão?
É tão frustrante toda a complicação que as facilidades modernas trouxeram às nossas vidas...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

eu curti

A gente não se contenta mais só em observar.
Se não tiver foto, é como se não tivesse acontecido, ou passado diante dos nossos olhos. Contar a história pra alguém não tem mais o mesmo gosto se não sacarmos o aparelhinho e mostrarmos orgulhosos a foto, ou as milhares de fotos.
A falta da imagem desvalida a experiência. Se não tiver o espetáculo da imagem, a linguagem sagaz dos megapixels sempre à mão, é o mesmo de descreditar ao contador a veracidade do impacto da história..
Ontem, não me contive. Após observar maravilhada um ipê amarelo tinindo ao sol, contrastando com o céu azul-anil, e as linhas ondulantes do Edifício Niemeyer, capturei a imagem com meu celular. O mesmo era feito por todos os passantes que se atentaram para a cena.
Era tão lindo que eu queria levar pra casa.
Peguei uma das flores, recém-caida na calçada da praça e a coloquei dentro do meu livro.
Era tão lindo que eu queria levar pra casa.
À noite me lembrei da foto e, ao revê-la, vi que era apenas mais uma foto, nada de mais. Não ganharia um prêmio por ela. A árvore não me pertencia, nem as flores, nem o tempo, nem o azul do céu, nem o momento.
Guardar a imagem nos MB dos aparelhindos parece dar a muita gente a sensação infantil de que se apossaram daquilo, a petulância de possuírem. Porque parece mesmo que só isso importa nesses dias.

Mas fato é que eu nem precisava dela pra direcionar minha memória ao instante em que fiquei maravilhada com o amarelo vivo e ofuscante dos tufos floridos ao sol, no fundo azul limpinho do céu de agosto, enquanto as flores caíam devagar na grama quando os galhos balançavam na brisa, formando um lindo tapete verde-e-amarelo.

Aquela coisa que o coração captura, mas a antena não.


sábado, 27 de novembro de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ladrão apanha

Demorou mas veio. A notícia mais divertida do ano.

"Passageiros de ônibus se revoltam e agridem suspeito de assalto


Continua internado sob escolta policial um jovem suspeito de tentar assaltar um ônibus na noite de terça-feira, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar, André Lucas Ferreira, de 23 anos, foi espancado pelos passageiros do coletivo ao tentar fugir.
Ainda de acordo com a PM, o suspeito invadiu o ônibus da linha 6790 (Recanto Verde/Est.Eldorado) na Avenida João César de Oliveira, no Centro de Contagem. Ele teria simulado estar armado com um revólver e chegou a roubar o dinheiro das passagens arrecadado pelo cobrador do ônibus. Quando ele tentava sair do veículo, os passageiros perceberam que o suspeito não carregava uma arma e o agrediram.
A polícia socorreu o suspeito e o levou para o Hospital Municipal de Contagem, onde continua internado. A PM não informou se os passageiros do coletivo que agrediram o suspeito foram encaminhados para a delegacia da região para prestar esclarecimentos."

Priscila Robini - Estado de Minas

publicação: 25/08/2010

Pelo menos um entre os milhões de ladrões desse país, teve o que mereceu, na medida, na hora certa.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

foco

Hoje tinha aula de química. E depois geografia. E por último física, ou biologia.
Mas às 5:30 da manhã teve gripe. E garganta doendo. E tosse de cachorro. E um frião ouropretano neblínico lá fora.
Nada disso combina com aula de química, de geografia...
Gripe combina com ficar em casa...
E estudar mais do que teria estudado se tivesse ido à aula, claro.
Tá achando o quê?
Corpo mole é a vovozinha.

terça-feira, 2 de março de 2010

se

se eu fosse beeeeeem baranga eu colocava aqui uma foto do meu guarda-roupa cheinho, com todas aquelas roupas que estavam longe de mim e que chegaram na semana passada.
Igual aquele povo (barango) que cozinha uma lasanha, ou que vai no buteco/restaurante/casa da vó e fica tirando foto da comida pra colocar no orkut com os dizeres: "tava bom demais!".
Aff, é o ó! Ô baranguice!

Mas como eu não sou assim TÃO baranga, não vou fazer isso não.
Então fiquem sabendo que meu guarda-roupa está (quase) lotado, que passei horas lavando e passando tudo com muuuito carinho, achando lindo cada pedacinho de pano. Depois me deliciei pendurando nos cabides, separando por cores e tals.
E ainda tem um tanto pra lavar e guardar, assim que a chuva der trégua aqui no buraco fundo onde eu moro.

Eu estou agora me sentindo uma pessoa tão arrumadinha, tão bunitinha, que dá até gosto.
Minha diversão vai ser garantida nas próximas semanas.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

sobre o feriado

Então...
Lá não tinha trio, mas tinha carro-pancadão tocando aquelas coisas que aff... só alcoolizado mesmo pra se divertir. Mas tinha um bloco caricato com banda e aquelas musiquinhas bacanas de outros carnavais.
Vi a cabeleira do zezé váárias vezes, me disseram que birita num era água outras tantas, nem sei mais como era aquela história (argh!) de rebolation (vide billboards do carnaval tupiniquim).
Comi empada a r$1.50 todos os dias, finíssima!
Teve um dia que fiz cara feia e recusei a cerveja (depois de tentar empurrar a primeira goela abaixo, óbeveo).
Esse foi o segundo dia. Nos demais isso não ocorreu.
Num outro uma amiga me passou vodca com deus-nos-acuda e todo mundo se divertiu (as nossas custas, claro). Não satisfeitos, fomos pular do meio-fio pro meio da rua enquanto um outro amigo tentava capturar o momento com sua camera indiscreta.

No último dia, abstemio, achei que tudo tinha se acabado, inclusive eu.
O meu amigo não mandou as fotos até hoje. Acho que a censura pegou.
Ou ele se arrependeu e vai tentar procurar amigos normais.
Ah, o meu cachorro foi, viu e curtiu também.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

a pergunta do ano

Você mora em Ouro Preto e o carnaval se aproxima.
A pergunta que mais ouvi na última semana foi...


Você fica... ou você corre?


Poisintão....
Sexta que vem estarei num interior ainda mais interiorano, numa casa do lado do cemitério, um lugar esquisito. Lá não tem trio elétrico (ufa!), tem kombi com som, homens travestidos...

Sobrevivendo, contarei mais detalhes.

alalaô.
Nat

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

calendário luliano

Sim, semana passada eu vi na Globonews.
A repórter tava dizendo que o presidente (aquele...) irá acompanhar de perto pra que não aconteça em 2010 a farra das horas extras no congresso como foi em 2009.
Aí logo em seguida ela disse que ele iria se reunir com xyzabcd na terça-feira, quando os deputados e congressistas voltariam ao trabalho.
Entendeu?
Logo depois passou uma reportagem dizendo sobre o aumento pornográfico de impostos sobre efgh no ano passado.
Conclusão?
A gente tem que ralar muito pra pagar as horas extras da moçada, uma vez que os dias úteis deles vão de terça a quinta. E olhe lá.
Assim até eu que sou mais besta...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

isso aqui, ôô...

Esqueci de contar esse caso. Aconteceu mês passado.
Fui levar o cachorro ao veterinário. Dirigia por uma ladeira estreita (em curva) de mão única, quando chegando no final da rua, imaginei:
-Já pensou se vem algum idiota na contra mão?
...
Gentem, queria eu que fossem os números da mega-sena que tivessem passado pela minha cabeça.
Vem o próprio idiota. Despretensiosamente, e ainda falando ao celular. Freia, olha pra minha cara mas continua no celular.
Não passam dois, então ALGUÉM TEM QUE VOLTAR DE RÉ! O manual diz que quem tá na contra mão, se não bateu, que se vire pra voltar.
Eu paro, olho pro céu, faço batuque no volante, ajeito o cabelo olhando no retrovisor e, cansada de esperar que ele engate a ré, olho fundo na cara do sujeito.
Ele enfim dá ré no carro, falando ao celular.
Avancei à medida que ele saía da minha frente e segui.
Ele espera no cruzamento, travando todo mundo, desliga o celular e faz cara feia.
Quando passo ao lado dele, ele manda essa de dentro do carro:
- Por nada viu??
...
Vi pelo retrovisor que ele voltou e seguiu pela mesma contramão.

Olha, eu nem perco mais meu tempo pensando porque é que temos que viver nesse trânsito adorável...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

zona rural

O fixo ja foi, o celular, acabou de ser parido.
Por enquanto, a gente se comunica como pode.


Ah!A Internet? Ta quase, gente, quase!
Aceito mandingas, rezas... to fazendo qualquer negocio!!!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quem?

- Vem cá prá você ver uma coisa!- Gritou o Rodrigo
- Ahn? O que é?
- Seu presidente na Internet, vem ver!
- Meu presidente uma ova! Eu num votei nele não!!! O que ele aprontou dessa vez?
- Olha isso aqui!



- Aiaiai ...ahn, ehr... eu num votei nele... ahrn... ainda bem
Ah, mas é carnaval, né? Esqueci, foi mal.

Dá até pra fazer aquela piada, sobre o que é um ponto gordo na Sapucaí... mas deixa prá lá.

AlalaÔÔÔô...

Nat

domingo, 27 de julho de 2008

O eco

Um amigo muito querido, tão especial e próximo como um irmão, me mandou um presente por e-mail ontem. Era um vídeo que ele mesmo fez. Filmou uma figura tradicional das ruas de BH, um cara que amola "facas, tesouras, alicates de tirar cutículas". Ele anda com um velho esmeril em uma armação de madeira e um apito que há anos toca sempre a mesma melodia. Melodia essa que me acordou inúmeras vezes, enquanto morei no bairro Funcionários (ou seja, a vida toda). Enfim...
Nesse domingo o Rodrigo acordou antes de mim e veio pro computador, abrir o tal vídeo, que eu ainda não havia visto e nem sabia sobre o que era. Eu estava na cama, acordando, e escutei aquele apito... alguma coisa ecoou várias lembranças, mas eu não sabia exatamente de quê... Sabia que era daquele lugar,aquele som, daquelas ruas que eu amo, daquele lugar onde me sinto não só em casa, mas no berço que me embalou, aquele lugar ao qual sinto pertencer, que me acolhe, em meio às suas fumaças, suas esquinas, suas montanhas e paradoxos.
Assisti ao vídeo. E no girar da roda do esmeril, uma tormenta de lembranças adormecidas me acordaram nesse domingo frio... me acordaram para o tamanho da saudade, que prefiro deixar num canto que visito às vezes.
Esse era o texto do Gui, que acompanhava o vídeo...

De: Guilherme Santos
Para: Natalia Franco
Enviadas: Quinta-feira, 24 de Julho de 2008 2:46:12
Assunto: pra lembrar de BH


tava aqui em casa estudando quando derepente nao mais que derepente percebo que os gritos e e barulhos na rua formam musicas para os mais atenciosos. Era a mais bem feita estrategia de marketing das ruas de BH. Uma flautinha e em seguida um canto de tenor. Corri a varanda e pedi que esperasse. Levei o produto e a maquina para registrar e pensei que quem esta longe e cansou dos mesmos assuntos de sempre, deve gostar de lembrar do inesperado cotidiano que fazia sentido num contexto onde uma população tenta de todos os modos levar uma vida menos amarga, ou melhor dizendo, mais doce. Quando escutei o canto, logo lembrei de vc e por isso lhe presenteio com esse video. Não é para sentir mais saudades mas para nao esquecer do passado cotidiano.

abraçao,

GUi.

Para quem não resistir (eu acho que vale a pena!), esse é o link do vídeo: http://rapidshare.com/files/131885270/MOV02617.MPG

Foi quando me dei conta de que saudade não se mata. A saudade que sinto hoje é um eco de coisas que guardo no coração, que sempre estarão lá.

E enquanto isso, vamos felizes por aqui, com saudades, mas muito felizes.
Descobrindo que com polvilho do Vietnã e parmesão australiano, se faz milagres...


Beijos,

Nat

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eu vou de transbebum!

Eu amei essa lei seca! Essa falta de responsabilidade tinha que acabar uma hora!
To doida pra ir em BH, bailar rock'nroll a noite toda e voltar pra casa de "transbebum", que é o táxi lotação que vai funcionar nas regiões boêmias, por um preço mais baixo!Olha que lindo isso!
Aqui tem os ônibus que funcionam depois da meia-noite sexta e sábado e todo mundo volta da bebedeira de busão! Já fizemos isso vááárias vezes e juro... num dói nada, hahaha!
Agora vai, larga de ser pão-duro e pega um táxi, vai!
Eu vou de transbebum e vou carregar um monte de gente comigo!

Beijos!

Hic!

Nat

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Por (não) falar em saudade

Quando a gente mora longe das "origens", qualquer coisa deixa a gente saudoso, qualquer lembrancinha é suficiente pra dar uma balançada. Qualquer e-mail, qualquer caixinha que o correio traz, qualquer voz que fala pelo skype...
Essas são algumas "coisinhas", dentre as muitas que amo e que deixei aí no Brasil. Mamãe me mandou essas fotos hoje e eu amei!
Não precisa nem falar que os olhos ficaram cheinho de lágrimas...
Esse é meu gorducho mais fofo... cadê o gato?


Achô!

Minhas orquídeas


Não quero nem falar em... pessoas, coisas e lugares que não estão nessas fotos, porque dói dói dói.

Snif,

Nat

quinta-feira, 1 de maio de 2008

À moda local

Recebi numa conversa pelo Skype, nessa semana, a incumbência de fazer uma "simpatia" pra "melhorar os ânimos, tirar olho gordo, etc" - de mim, a propósito. Preciso arranjar:
3 rosas vermelhas
Manjericão
Água de Flor de Laranjeira
Guiné - pff! Aqui???
Arruda
Hortelã
Sal grosso
Essência de lavanda - pra transmutar, ela disse
Velas nas cores: lilás, rosa e vermelha

À là Tupiniquim, total!
Preciso ferver essa sopa (sem as velas, óbveo), fazer duas sessões de banhos, da cabeça aos pés, dois dias seguidos, depois rezar os salmos 70, 91, 140, 109, pedindo pra transmutar e acender um incenso de lavanda também. Não resisti e perguntei pra ela:
"TRansmutar? Vou virar o quê? E tem mais! Aloooouuu! Aqui num tem guiné, Arruda, nem essências não! Vale perfume? Vou ter que tomar banho de cactus!"
Os salmos são a parte mais fácil - Google neles!
Olha, prima querida ... bem que eu queria tirar essa inhaca de mim! E você sabe que eu sou assídua de suas receitas pra queda de cabelo, pele oleosa e afins desde pequenininha! Mas aqui num dá! Só no Brasil mesmo o povo vê sentido em fazer uma mistureba fervida de cheiro duvidoso e jogar na cabeça depois do banho! Já fiz isso (e funcionou, acho), mas o bodum de chá podre que a gente exala depois é inevitável! E só mesmo aí esses ingredientes estão disponíveis em qualquer mercado, a preços acessíveis e os receituários são de fácil aquisição (mandingas são democráticas, não?).
Me diz como é que eu vô explicar isso pra esses gringos? "Herbs against fat eye!"??! Vão me mandar procurar um oftalmologista!!!
Eu tentei adaptar às condições locais. Logo, a simpatia se converteu em:
- Tomar suco de laranja com hortelã
- Colocar manjericão na salada e temperar com sal grosso (aff! tudo pela superstição!)
- Comprar as rosas e pôr na sala (tenho dó de depenar as coitadas, vai!)
- Passar perfume de lavanda (argh! odeio lavanda!)
- Acender as benditas velas e o incenso eu vou trocar pelo de jasmim que tenho aqui (é tudo flor mesmo) enquanto rezo os salmos pela tela do computador (mas estou avisando: O detector de fumaça vai apitar!).

Espero que funcione! Num tem esse papo de que o que vale é a intenção, a energia, o fato de acreditar?

Saravá!
(com sotaque = sar ah vah)!

Beijos e bom fim-de-semana!!!!

Nat - a Pomba Gira que fala inglês

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Dona Lourdinha

Oi, pessoal!
Mandei o post "Mulherzinha" pra algumas pessoas por e-mail e não demorou para que começasse a receber respostas com histórias memoráveis de mulherzinhas que atazanaram a vida de alguns de meus amigos e parentes.
A mais trágica-cômica foi a que meu pai meu enviou, contando sobre a Dona Lourdinha. Ela foi chefe da minha avó (a baixinha sensacional que eu mencionei no post). Apresento-lhes Dona Lourdinha, by papai:
"ME LEMBRO , COMO HOJE, MAMAE TINHA UMA CHEFE LÁ NO CARTORIO ELEITORAL , DONA LURDINHA, QUE ERA A MEGERA EM PESSOA , O CÃO DE SAIA . VÁRIAS VEZES VI MINHA MAE CHORANDO DE RAIVA PELAS CAVALICES DE DONA LURDINHA. DETALHE , DONA LURDINHA ERA CARECA. USAVA UMA PERUCA HORROROSA , SOLTEIRONA.. AS SOBRANCELOHAS ERAM FEITAS A LÁPIS . DIZEM QUE UMA VEZ SUA PERUCA CAIU EM PLENA REPARTIÇÃO PÚBLICA .... IMAGINE O BABADO. MAS, ACHO QUE A GRANDE MAIORIA DESTAS MULHERZINHAS , PODE PESQUISAR, SOFREM DE UM SÉRIO PROBLEMA . ALGO BEM ANTIGO . FALTA DE SEXO . (...) MAS COMO NÃO TEM LÁ ESTES PREDICATIVOS PARA ALICIAR O CANALHA-DOS SONHOS , EXERCEM O PODER MASSACRANDO VELHINHOS NA FILA DO INSS, FUNCIONÁRIAS LINDAS E CHARMOSAS QUE CHEGARAM -PARA TRABALHAR HÁ POUCOS DIAS ... ETC, ELAS VÃO SEMPRE EXISTIR . .. VÃO FAZER PARTE DOS FOLHETINS E IMAGINÁRIOS. FREUD EXPLICA.... "

Beijos!
Nat

Mulherzinha

Para mulheres que sofrem com mulheres...
Noite passada sonhei com uma pessoa (do gênero feminino) que me causou muita dor-de-cabeça alguns anos atrás. E como nos sonhos experimento sensações bem realistas, acordei sentindo aquela mesma indignação que essa pessoa me causava. E pra parir essa raiva que eu trouxe da noite mal-dormida, resolvi escrever sobre esses tipinhos, que eu chamo de "MULHERZINHA". Vamos a elas...
Primeiro vamos à ressalva, de que não tenho nada contra as colegas de baixa estatura, já que, a começar pela minha avó, temos várias baixinhas adoráveis na minha família. Me sirvo do diminutivo pra me referir a mulheres pequenas nas relações pessoais, que pensam pequeno, que encrencam com bobagem e que precisam de pouco, muito pouco pra tornar sua vida (a nossa) uma amarga batalha de foices.
Então... sem julgar pela estatura da sujeita, ela é um problema na sua vida e uma criadora de problemas nata. A mais típica é encontrada normalmente em ambientes de trabalho, a alguns cargos acima do seu. Mas nada, nada impede que ela seja sua irmã, professora, tia, colega de trabalho, atendente do cartório, vizinha, sogra, ou até mesmo, infelizmente, sua mãe. O que importa é que elas podem estar em qualquer área da sua vida, independente do quão bem ou pessimamente você consiga conviver com ela. Ela tem uma capacidade incrível, uma habilidade maldita de tirar você do sério. E também não importa se ela é um peso- leve ou um peso-pesado. Você olha prá ela e vê um barril de pólvora, um vespeiro.
Então se abre comigo: já passou por uma dessas? Já dependeu dela pra qualquer coisa? Trabalhou com ela? Ih, foi subordinada a ela?Aff! Quem nunca? Eu, mais de uma, a propósito.
Pedir ou negociar qualquer bobagem com ela é tarefa hercúlea. Você ensaia o script de frases de efeito e contra-argumentos, treina o timbre vocal apropriado para cada possível levante, com dois dias de antecedência pelo menos, espera o melhor momento e vai. Se sente como negociando o preço do barril de petróleo no Iraque. Você tenta bravamente não gaguejar e não perder a pose enquanto se desvia das fagulhas, mas não adianta. E sabe porquê? Porquê ela está lá, ocupando o posto de Mulherzinha. E ser Mulherzinha é o papel que ela mais gosta de encenar, é o jogo preferido dela, mesmo que ela tenha outros papéis designados pela vida (de mãe, esposa, filha, etc). Isso não importa. Porque a vida dessa mulher é tão terrivelmente mal-resolvida que ela elege alguém além dela pra pagar o pato, sem que ela sofra as consequências por isso.
E aí que você entra, colega! Sobrou pra você e eu sinto muitíssimo.Ela sabe que você não tem escolha, você vai estar lá, naquele bat-local que você ocupa. Você é a "táuba de tiro ao álvaro" dela.
As melhores, (digo no sentido de mais desenvolvidas na arte da irritação da vida alheia) ou piores, como queira, são as imprevisíveis. Aquelas que, além de tudo, ninguém sabe dizer como será o dia (empresarial, familiar, etc) até que algum bendito corajoso vá lá e faça o teste. Nesses locais você costuma ouvir:
- Alguém já foi falar com a fulana hoje?
- Ihhh, nem tenta. Ou:
- Vai, mas passa vaselina antes (essa pérola eu ouvia de alguns colegas com muito senso de humor, numa cadeia aliment... quer dizer, numa empresa onde trabalhei).
Ah, e tem como piorar ainda! Se você tem alguma coisa que ela não tem (seja um namorado bacana, um cabelo mais sedoso, amigos, reconhecimento e bom humor)... seu caso é grave e eu te desejo paciência em overdose. E em impótese alguma deixe ela perceber se as pessoas da mesma convivência gostarem mais de você, se você estiver de bem com a vida, se estiver feliz porque seu time ganhou, ou porque o consórcio do carro saiu! Não transpareça qualquer tipo de satisfação perto dela! Ela vai se divertir em acabar com seu estado de graça. E evite essa criatura, na medida do possível. Não peça favores, ajuda, conselhos, empréstimo, nem peça pra pegar o papel na impressora. Não tome café nos mesmos horários que ela, não elogie o novo corte de cabelo dela. Não dependa dela, não se enrole nessa jararaca!
E esqueça, de uma vez por todas, de tentar entendê-la ou modificá-la. Isso não é tarefa prá você. Há bons terapeutas no mercado prá isso.
E sei também que nos seus sonhos você a manda prá ponte que partiu, sai pisando fundo e bate a porta e não volta mais. Mas como eu disse, essa sujeita pode estar em várias seções da sua vida. E além disso, nem sempre podemos sair e bater a porta atrás de nós, seja pelo momento que vivemos ou pelo papel que a fulana desempenha em relação a você. Talvez você esteja se perguntando sobre como passei por elas, ou se ainda passo. A verdade é que nunca saí batendo portas, apesar de as ter "peitado" em algumas ocasiões nervosas, mas nunca cheguei "nos finalmentes". Das que pude me esquivar, tentei evitar ao máximo, ignorei (e isso as deixa mais brabas ainda!) e no fim, saí à francesa, quando se tratou de trabalho. Procurei outras oportunidades assim que a situação caminhou para o insuportável, porque sempre achei que... pra tudo tem limite, né? Trabalho nenhum vale a nossa saúde.
E pra driblar todas as sujeitinhas inevitáveis que te rondam, tenho uma sugestão que funciona às vezes: não faça o jogo dela. Não continue a discussão, não comente o disparate que ela disse e em última instância, seja cínica. Mas saia do caminho dela, porque ele é um labirinto pegajoso onde ela vai se divertir se você se perder. Não compre a briga, não dê um centavo, não gaste sua saliva, seus neurônios, sua paz de espírito. Não dê importância a essa sujeita, mas seja firme nesse objetivo, porquê ela o será no dela. Lembra-se? Ser Mulherzinha é o que ela mais gosta de fazer...Então sai da reta, colega!
Ahn, e se você é uma Mulherzinha, sai dessa minha filha, porquê não ser Mulherzinha é o que há!